O Brasil alcançou a 17ª posição no ranking global de Pesquisa Clínica em 2025, avançando três colocações desde 2020. O dado foi apresentado pela diretora de Política e Inteligência Regulatória da Interfarma, Luciana Takara, durante o painel “Como as associações podem atuar na educação da indústria e dos investidores para melhorar o ambiente de investimento e o amadurecimento do setor”, no Workshop de Pesquisa Clínica, realizado pela Green Rock.
A discussão, que também contou com Norberto Prestes, presidente da ABIQUIFI; Marcela Amaral, diretora de Acesso do Sindusfarma; e Fernando Francisco, diretor-executivo da Abracro, destacou a urgência de transformar a cultura de inovação e fortalecer o ecossistema no país. “De 2014 a 2015, a América Latina teve acesso a 93% dos medicamentos inovadores registrados globalmente. Em 2025, esse número caiu para 8%, segundo dados do estudo W.A.I.T indicador da Fifarma e IQVIA”, afirmou Luciana, ao alertar para a redução do acesso a inovações.
A diretora ressaltou ainda o papel da Interfarma na “geração de dados íntegros e confiáveis” para identificar desafios e oportunidades em pesquisa clínica. Segundo o Painel de Pesquisa Clínica, desenvolvido por Interfarma e IQVIA, o Brasil alcançou a 17ª posição em estudos clínicos iniciados em 2025, uma melhora em relação a 2020, quando ocupava o 20º lugar. A expectativa é de que o país possa chegar ao top 10, com apoio da nova Lei de Pesquisa Clínica.
Apesar do avanço, o Brasil segue muito aquém das metas de recrutamento de voluntários. “De 2020 a 2025, foram mais de 600 mil oportunidades perdidas. Esse é o número de pacientes que deixaram de ser recrutados em estudos realizados no país e, portanto, não tiveram acesso a novos tratamentos”, destacou, informando que a Interfarma irá lançar atualização do seu estudo sobre Pesquisa Clínica durante a BIO Convention International 2026.
Norberto Prestes reforçou a necessidade de “segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estabilidade” para viabilizar o desenvolvimento do país como polo de inovação, além de destacar a importância da capacitação e da transformação cultural. Fernando Francisco enfatizou o papel das associações em “articular com toda a sociedade”, incluindo pesquisadores e reguladores, para representar de forma legítima as demandas do setor e promover um diálogo construtivo.
Para Marcela Amaral, as associações também têm capacidade de “olhar para o futuro e desenvolver novos projetos”. Ela citou a parceria do Sindusfarma com a ABIQUIFI e o Sebrae em um programa voltado à capacitação e ao desenvolvimento de startups na área da saúde.
Os participantes encerraram o painel ressaltando a necessidade de ações coordenadas, desde a formação universitária até o apoio a startups e a produção de dados qualificados, para que o Brasil avance em competitividade no cenário global da inovação em saúde.