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Medicamentos oncológicos considerados essenciais pela OMS ainda não chegam aos pacientes do SUS, aponta levantamento da Interfarma 

Medicamentos oncológicos considerados essenciais pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda enfrentam obstáculos para chegar aos pacientes brasileiros, mesmo quando já integram a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) do Sistema Único de Saúde (SUS). A constatação é do estudo da Interfarma “Da Recomendação global à oferta no SUS: Análise comparativa e lacunas de acesso a medicamentos oncológicos essenciais“, apresentado durante o II Simpósio sobre Uso Seguro de Medicamentos na Atenção Primária e Secundária, realizado em Belo Horizonte nos dias 23 e 24 de julho. A pesquisa comparou os medicamentos oncológicos presentes nas listas da OMS e da RENAME e identificou lacunas importantes entre sua incorporação e a efetiva oferta à população. 

O levantamento analisou 112 princípios ativos utilizados em oncologia. Destes, 71 constam tanto na lista da OMS quanto na RENAME. Entretanto, 12,7% desses medicamentos, embora considerados essenciais pelas duas listas, ainda não estão disponíveis para os pacientes brasileiros. O estudo também identificou que outros 13 medicamentos essenciais recomendados pela OMS não fazem parte da RENAME e que, entre os 28 medicamentos exclusivos da lista brasileira, metade ainda não havia sido disponibilizada à população. 

Na oncologia, esse cenário é particularmente preocupante porque o tempo é um fator decisivo para o sucesso do tratamento. O início oportuno da terapia influencia diretamente as chances de resposta clínica, a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. Assim, o cumprimento dos prazos legais entre a incorporação dos medicamentos e sua efetiva oferta no SUS é fundamental para transformar decisões de política pública em acesso real. 

Para Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma, os resultados mostram que o país precisa avançar para além da incorporação de medicamentos e garantir que os tratamentos cheguem efetivamente aos pacientes. “Na oncologia, cada etapa da jornada faz diferença. Quando um medicamento é reconhecido como essencial, espera-se que ele esteja disponível em tempo oportuno para quem precisa iniciar o tratamento. O que o estudo mostra é que ainda existe uma distância importante entre o reconhecimento da importância dessas terapias e o acesso efetivo pelos pacientes.” 

Tempos de Acesso 

Os resultados dialogam diretamente com o estudo “Tempos de Acesso – A jornada que separa a inovação do paciente brasileiro”, desenvolvido pela Interfarma em parceria com a IQVIA, que identificou justamente a etapa posterior à incorporação como o principal gargalo para o acesso no Sistema Único de Saúde. 

Segundo o levantamento, o maior atraso ocorre após a recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), especialmente durante a elaboração dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), os processos de aquisição e a disponibilização dos medicamentos na rede pública. 

“Os dois estudos mostram que o desafio do acesso não termina quando um medicamento é incorporado ou incluído em uma lista oficial. A incorporação é um passo importante, mas ela precisa ser acompanhada da implementação das políticas públicas para que o tratamento realmente chegue ao paciente. Sem essa etapa, a inovação continua distante de quem mais precisa”, afirma Helaine Capucho. 

A pesquisa conclui que a presença de medicamentos em listas oficiais ou sua incorporação normativa representa uma etapa necessária, mas não suficiente para garantir acesso efetivo aos pacientes. A oferta real depende da continuidade entre incorporação, financiamento, aquisição, distribuição e disponibilização dos medicamentos no SUS. 

O trabalho foi apresentado em formato de pôster durante o II Simpósio sobre Uso Seguro de Medicamentos na Atenção Primária e Secundária, promovido pelo ISMP Brasil. A participação da Interfarma integra uma programação voltada à discussão sobre acesso a medicamentos, segurança do paciente e valor em saúde. 

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