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Interfarma no HBR Summit Brasil: cuidado baseado em valor é caminho para mais eficiência e melhores desfechos em saúde 

Inovar em saúde vai além do desenvolvimento de novas terapias, envolve também a forma como o acesso é garantido. Diante de diversos desafios, o cuidado baseado em valor (Value Based Health Care – VBHC) é uma estratégia para transformar a forma como os sistemas de saúde operam, com foco em melhores desfechos para os pacientes e uso mais eficiente dos recursos. A partir da entrega do melhor desfechos em saúde para pacientes, acesso e uso eficiente dos recursos são articulados, apoiando a sustentabilidade dos sistemas de saúde. O tema foi abordado pela médica cardiologista Dra. Márcia Makdisse, especialista em VBHC, durante o painel “Inovação e sustentabilidade: como otimizar a geração de valor no sistema de saúde brasileiro?”, promovido pela Interfarma no primeiro dia do Harvard Business Review Summit Brasil, em São Paulo. 

Segundo a especialista, o VBHC vai além de modelos alternativos de pagamento. Trata‑se de uma mudança estrutural no cuidado, baseada no redesenho das jornadas assistenciais a partir das necessidades dos pacientes e na medição sistemática de desfechos clínicos relevantes. “O VBHC é uma mudança de foco, ao substituir a lógica de competição por volume pela busca por melhores desfechos. O cuidado passa a ser organizado em ciclos completos, com avaliação do impacto total ao longo do tratamento, e não apenas de custos isolados”, explicou a keynote speaker do painel. 

A necessidade dessa abordagem, de acordo com a Dra. Márcia, surge de crises globais nos sistemas de saúde, marcadas por desconexão entre gasto e resultados, além de variações injustificadas de prática, desfecho e custo. Nos últimos anos, o VBHC também passou a incorporar, além do valor técnico, os valores pessoal e social do cuidado, com maior ênfase na transparência de resultados e na escolha informada pelos pacientes. 

Entre os exemplos internacionais, a especialista destacou o projeto Santeon, que reúne sete hospitais na Holanda em uma plataforma comum de cuidado baseado em valor, com compartilhamento de dados e indicadores de desfecho. A especialista também mencionou que acompanha os principais hospitais líderes em VBHC no mundo e destacou o desafio de ainda não haver representantes da América Latina nesse grupo. 

Experiências brasileiras também foram destacadas. O programa Joinvasc, do Hospital São José, em Joinville, reduziu em 37% a incidência de AVC e em 58% a letalidade em 30 dias entre 1995 e 2019. Os resultados foram alcançados por meio da integração entre modelo de cuidado, articulação entre os atores envolvidos, medição sistemática de desfechos e custos e adoção de tecnologias baseadas em evidências. A iniciativa foi vencedora do VBHC Prize 2021. 

Outro exemplo citado foi o Sistema Integrado de Cuidado da Dor Lombar, da Unimed Porto Alegre. De acordo com dados de março de 2026, 67% dos participantes relataram melhora da dor, 54% melhora da qualidade de vida e 92% demonstraram satisfação com os resultados alcançados. O projeto concorre ao VBHC Prize 2026. 

Para que a transformação em direção ao cuidado baseado em valor seja bem-sucedida, a dra. Márcia ressaltou a importância de uma agenda viável e participativa, que não seja imposta de forma vertical. “Essa mudança exige liderança engajada, capaz de formar agentes de transformação em todos os níveis do sistema, da alta gestão às comunidades. Educação, uso de dados e engajamento contínuo são pilares fundamentais para consolidar um sistema de saúde mais eficaz e com maior impacto na vida das pessoas”, concluiu. 

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