Na noite do dia 10 de junho, a Interfarma realizou um evento comemorativo pelos seus 35 anos de atuação, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A celebração reuniu colaboradores, empresas associadas e representantes de entidades do setor da saúde e da inovação.
A programação contou com uma palestra do médico oncologista, comunicador e escritor Dr. Drauzio Varella e com a exibição de uma peça audiovisual comemorativa aos 35 anos.
Durante o evento, Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma, destacou os avanços conquistados ao longo dessas três décadas e meia, reforçando o compromisso com o acesso à inovação em saúde e a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.
A seguir, a íntegra do discurso proferido na ocasião.
Olá, boa noite a todas e todos aqui presentes. Sejam muito bem vindos!
A noite de hoje é muito especial.
Estamos reunidos para celebrar os 35 anos da Associação da Industria Farmacêutica de Pesquisa, a nossa Interfarma. São mais de três décadas de trabalho cotidiano, reunindo empresas e pesquisadores, sejam brasileiros ou estrangeiros, todos comprometidos com a inovação em saúde, com o propósito de desenvolvimento científico e econômico.
Nesses 35 anos muita coisa mudou.
Vocês lembram como era a saúde do Brasil em 1990, quando surgimos como Associação?
Lembrem comigo: o Brasil de 1990 tinha 135 milhões de habitantes. A expectativa média de vida média era de 61 anos para os homens, e de 67 anos para as mulheres. Hoje, os homens brasileiros têm a expectativa de viver em média 73 anos, enquanto as mulheres brasileiras vivem em média 79,7 anos. Sabemos que um dos indicadores mais importantes da situação de saúde é a mortalidade infantil. No Brasil de 1990, a mortalidade infantil era de 67 óbitos por 1.000 nascidos vivos. Hoje, é quase seis vezes menor. A principal causa dessa mudança foi, sem dúvida nenhuma, a criação do Sistema Único de Saúde. Criado em 1990, o SUS permitiu a construção de políticas públicas e arcabouços normativos que garantem o atendimento a todos os brasileiros.
É simbólico constatar que nascemos no mesmo ano em que o SUS começou a se consolidar como o maior sistema público de saúde do mundo. Em sintonia com o SUS, a Interfarma manteve, desde o início, o objetivo de aperfeiçoar o atendimento em saúde da população brasileira, colocando a ciência e a inovação tecnológica a serviço do bem-estar dos cidadãos.
Nosso compromisso é assegurar o acesso de brasileiros e brasileiras aos mais eficazes tratamentos existentes no mundo, capazes de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, e assim contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde no país. Este objetivo só pode ser alcançado com o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
Inovação não é mágica.
Exige muita dedicação, muitos recursos humanos e financeiros. Ao iniciar a pesquisa, não se tem a segurança de sucesso. Muita gente ainda não sabe que a criação de um novo medicamento demora, em média, 10 anos. Os laboratórios chegam a investigar 10 mil moléculas até que uma seja considerada capaz de assegurar segurança e eficiência. O ciclo da inovação em saúde é longo, é custoso e cheio de incertezas. Apesar disso, a inovação tecnológica é o único caminho para que resultados verdadeiramente proveitosos sejam atingidos.
Lembrem comigo: Se conseguimos superar uma pandemia, foi graças à tenacidade dos pesquisadores, à excelência dos cientistas e a clarividência da indústria, que permitiram o desenvolvimento de vacinas cada vez mais seguras e eficazes. Se hoje o diabetes pode ser considerado uma doença controlável, é graças ao desenvolvimento de tratamentos inovadores, que trazem qualidade de vida para os pacientes.
Se hoje o Brasil pode se orgulhar de ter reduzido a transmissão de HIV de mãe para filho — a chamada transmissão vertical –, é graças ao trabalho incansável de cientistas e profissionais de saúde, amparados por políticas públicas eficientes. Se o Brasil está conseguindo reduzir progressivamente a taxa de mortalidade, é graças à perseverança de quem investe na inovação. Mas não podemos cruzar os braços e descansar. Temos ainda muitos desafios à frente. O nosso país ainda perde muito por não tratar adequadamente sete doenças, entre elas o câncer, a enxaqueca e doenças cardiovasculares.
De 2018 a 2022, o país teve perdas de US$ 350 bilhões em produtividade em decorrência dessas doenças, sem contar o prejuízo em matéria de bem-estar para a população. Uma pessoa doente, sem tratamento, não interage na sociedade, não produz seu sustento. Basta este dado para demonstrar que a inovação em saúde precisa ser compreendida como parte essencial do desenvolvimento social e econômico do país.
A inovação é um bem coletivo. Todos os atores sociais e econômicos têm responsabilidade na criação e na manutenção das condições que vão assegurar que ela chegue a quem mais importa: o paciente.
A inovação na área da saúde resultará em métodos de diagnóstico mais precisos, em tratamentos mais eficazes e processos mais eficientes, reduzindo os custos associados aos cuidados de saúde. A ciência continua evoluindo. O século XXI inaugurou a era dos tratamentos personalizados, da terapia gênica e celular. As empresas associadas à Interfarma, com todos os pesquisadores envolvidos acompanham esses avanços. Nossas associadas têm compromisso com a evolução terapêutica para trazer contínuos benefícios à sociedade.
Neste dia tão especial, celebramos 35 anos de uma trajetória construída com dedicação, parceria e propósito. Nosso mais profundo agradecimento a todas as pessoas que fizeram parte dessa história. Reafirmamos hoje, com determinação ainda maior, o nosso propósito de contribuir para dar ainda mais resiliência ao sistema de saúde no Brasil, a fim de garantir que cada paciente brasileiro tenha acesso adequado e sustentável às inovações em saúde. Ninguém deve ficar para trás.
A Interfarma trabalha para que no futuro mais próximo seja possível que todos os brasileiros e brasileiras tenham acesso ao melhor tratamento, na dosagem certa e na hora certa.
Parabéns aos nossos colaboradores, às associadas e todos aqueles envolvidos nessa missão de cuidas das pessoas.
Viva a Interfarma!
Muito obrigado