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Em nota, entidades do setor farmacêutico alertam para riscos de produtos sem registro no Brasil

A Interfarma e outras 11 entidades representativas da indústria farmacêutica divulgaram nesta terça-feira,7, uma nota pública conjunta (clique aqui e leia a nota completa) em defesa do rigor técnico e regulatório na avaliação de medicamentos à base de tirzepatida comercializados no Paraguai e sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A manifestação foi motivada pela repercussão de reportagem da Folha de S.Paulo sobre análises laboratoriais realizadas em produtos contendo tirzepatida vendidos no Paraguai. Segundo as entidades, a identificação do princípio ativo em determinadas amostras não é suficiente para comprovar que esses produtos sejam seguros, eficazes ou equivalentes aos medicamentos regularmente aprovados e comercializados no Brasil.

De acordo com a nota, o estudo citado na reportagem avaliou apenas a presença, a concentração e a estrutura molecular da substância, sem analisar aspectos essenciais para a segurança dos pacientes, como impurezas, contaminantes, esterilidade, eficácia clínica ou perfil de segurança. As entidades destacam que esses fatores são determinantes para avaliar a qualidade de um medicamento e seu uso adequado. A nota destaca ainda que uma das cinco marcas analisadas apresentou concentração do princípio ativo 60% superior à indicada no rótulo. Na avaliação do setor, uma variação dessa magnitude pode representar riscos importantes para os pacientes, especialmente em medicamentos injetáveis que exigem ajuste preciso de dose.

A nota também reforça o papel do registro sanitário como instrumento fundamental de proteção à saúde pública. Segundo as entidades, a aprovação de medicamentos pela Anvisa envolve não apenas a verificação do princípio ativo, mas também análises de qualidade farmacêutica, segurança, eficácia, inspeções de fábricas e monitoramento contínuo dos lotes produzidos. Os produtos mencionados possuem registro apenas junto à autoridade sanitária paraguaia e não são registrados no Brasil.

As associações alertam ainda para o risco de interpretações equivocadas que possam reduzir a percepção dos perigos associados ao uso de produtos sem registro, favorecer a automedicação ou conferir legitimidade indevida a medicamentos comercializados de forma irregular. As entidades fazem ainda um apelo à imprensa, aos profissionais de saúde e às autoridades para que o tema seja tratado com o máximo rigor técnico, considerando seu impacto sobre a saúde pública.

A nota é assinada por Abiquifi, Acessa, Abrasp, Grupo FarmaBrasil, Abifisa, PróGenéricos, Abifina, Interfarma, Alanac, Sindusfarma, Sinfar-RJ e Sindifargo.

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