A geração de valor em saúde, com foco em desfechos relevantes para os pacientes e a sustentabilidade dos sistemas, foi o tema central do painel “Inovação e sustentabilidade: como otimizar a geração de valor no sistema de saúde brasileiro?”, realizado durante o HBR Summit Brasil, em 13/4. Promovido pela Interfarma, o debate reuniu representantes do setor público e da saúde suplementar, sob moderação de Helaine Capucho, diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma.
Ao abrir o debate, Helaine destacou que valor em saúde está diretamente ligado ao que importa para o paciente e ressaltou o papel da indústria farmacêutica de pesquisa como parceira estratégica do sistema. “Valor é justamente aquilo que realmente importa: o desfecho do paciente, que é o sentido de qualquer sistema de saúde. A indústria de pesquisa é um grande parceiro desse sistema”, afirmou. Segundo ela, evidências, dados, governança e colaboração entre os diferentes atores são elementos essenciais para que esse valor chegue, de fato, às pessoas.
Representando o setor público, o secretário‑executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que modelos orientados a valor exigem um sistema estruturado. “Esses conceitos não se sustentam se não tivermos um sistema de saúde forte, organizado e coordenado”, afirmou.
Massuda defendeu ainda que a reconstrução do SUS, o fortalecimento da atenção básica e o acesso no tempo certo são condições essenciais para avançar na agenda de valor. “Não há como falar em financiamento por valor sem uma base organizada e acesso adequado”, pontuou. “Precisamos sair do financiamento por procedimento e avançar para modelos baseados em desfecho, e isso só é possível com informação, avaliação e monitoramento”, acrescentou, ao citar iniciativas como a Rede Nacional de Dados em Saúde e o CPF como identificador único.
Na perspectiva da saúde suplementar, Daniela Medeiros, superintendente de provimento da saúde, destacou a necessidade de superar a fragmentação do cuidado. “Hoje entregamos um cuidado muito fragmentado, em que cada um faz a sua parte, mas isso não gera o melhor desfecho para o paciente”, afirmou. Para ela, o cuidado baseado em valor (Value Based Health Care (VBHC) em inglês) deve ser entendido como um novo modelo de cuidado, defendendo redes integradas, uso qualificado de dados e incentivos alinhados a resultados.
Durante a palestra de abertura do painel, a médica cardiologista Dra. Márcia Makdisse, especialista em VBHC, explicou que o cuidado baseado em valor é uma estratégia de transformação do modelo assistencial. “O VBHC é mais do que um novo modelo de pagamento, é uma estratégia para transformar o cuidado”, afirmou, ao defender o redesenho das jornadas assistenciais e a medição sistemática de resultados. Segundo ela, a lógica do sistema precisa mudar. “Passamos a competir por desfecho, olhando o ciclo completo de cuidado ao longo da jornada do paciente.”
Para os participantes, a colaboração entre setor público, saúde suplementar, indústria, academia e pacientes é essencial para o sucesso do VBHC. Para a Dra. Márcia Makdisse, “a conversa proporcionada pela Interfarma é o começo de uma jornada para criar um movimento de valor e saúde no Brasil”. Já Massuda concluiu destacando o desafio de avançar com equidade. “Temos muito orgulho do SUS, mas também muito inconformismo. Precisamos seguir avançando para garantir acesso às melhores tecnologias para todos”.